domingo, 28 de junho de 2009

Postura

O que leva uma pessoa a dirigir praticamente sem o encosto do banco? Me refiro a reclinar o encosto, dirigindo completamente sem apoio ou, na 'menos pior' das hipóteses, apoiando só o final da lombar no banco. Fiz questão de ilustrar o que escrevo com a foto abaixo, obtida através do Google Images, sob o termo de pesquisa 'boy dirigindo'.

Algumas pessoas talvez não saibam da importância do correto posicionamento no volante. E isso não é papo de cara chato, pois é fato: a correta maneira de dirigir garante redução no tempo de reação, reduz a fadiga ao dirigir (pois a posição ergonômica está adequada à de projeto, na maior parte dos casos...) além de proporcionar melhora nas manobras e maior percepção das reações do veículo.

Este item é tão importante que é muito frisado em um dos mais conceituados cursos de direção: o BMW Driver Training. Tive a oportunidade de fazê-lo, tanto o Basic como o Advanced, com o mestre Ingo Hoffmann, e a tecla mais batida, fundamental para uma correta condução do veículo, mais do que perícia ou habilidade em situações extremas, era a posição de dirigir. Tanto que foi um exercício longo no básico, e com uma sessão para relembrar no avançado.

Diversas são as vantagens, mas qual é o posicionamento correto? Primeiramente posicione o assento de modo que a sua perna esquerda vá até o curso final da embreagem, mas ainda fique levemente flexionada (em carros automáticos, a idéia é basicamente a mesma); a altura do assento deve ser mantida elevada, embora eu particularmente prefiro deixá-la na posição mais baixa possível; uma maneira prática de ajustar o encosto é conseguir colocar a parte interna do pulso no topo do volante; ele ficará numa posição bastante reta, entre 0 e 15° de inclinação. Em carros cuja coluna de direção possui ajuste de profundidade e/ou altura, pode-se procurar o melhor ajuste desta e depois o do banco; as mãos devem segurar o volante na posição 2:45h, ou seja, horizontalmente; em curvas para a direita, a mão que mais deve 'trabalhar' é a esquerda, e vice-versa, sempre empurrando o volante, sendo que as costas ficarão apoiadas no encosto.

Em curvas, a posição citada das mãos deve ser mantida até que os braços se cruzem; se for necessário mais esterço, o braço inferior (e sempre o inferior) deve se soltar e voltar a agarrar o volante na mesma posição, mas dessa vez passando a mão por cima da que já está ao volante; o movimento desta, por sua vez, irá acompanhar o volante com um giro no pulso. O mais importante é que as costas permaneçam sempre apoiadas no encosto do banco.

Aos que ainda não acreditam que esta posição de dirigir é a mais adequada e que proporciona mais benefícios, basta prestar atenção em qualquer vídeo de rally e notar a posição do piloto no cockpit: apenas os braços se movimentam, permanecendo o tórax praticamente imóvel. Uma (literalmente) postura simples e que traz benefícios incalculáveis. Ah, e claro: wear your seat belt.

terça-feira, 2 de junho de 2009

GM

Não há como deixar de escrever algo sobre a notícia que muito provavelmente mais abalou o universo automobilístico nos últimos tempos, e que ainda irá repercutir, afetando a história daqui para frente: o pedido de concordata da GM.

Antes de mais nada, é preciso entender o que é a GM: o conglomerado General Motors foi fundado em 1908, em Detroit - Michigan, pólo global e referência no desenvolvimento de veículos. Atualmente detentora ou com participação nas seguintes marcas: Holden (australiana), GMC, Cadillac, Buick, Vauxhall (inglesa), Chevrolet, Daewoo e Saab. Durante esse período, anunciou a venda da Opel, subsidiária alemã, Saturn e o fim da Pontiac. Para a grande maioria dos brasileiros a maior representante da marca no Brasil é a Chevrolet, além de alguns veículos GMC, principalmente utilitários.

Agora vamos entender o que a GM representa: com todas essas marcas, ela possuía representantes em praticamente todos os segmentos automotivos, desde pequenos e compactos veículos até os grandes e polêmicos beberrões de combustível, os SUVs e pickups. Foi líder mundial de vendas de veículos no período de 1931 a 2007, sendo superada pela Toyota em 2008, quando já estava bastante afetada pela crise mundial. Para nós brasileiros, é a marca por trás de Vectra, Astra, Blazer, Opala, Monza, Corsa, enfim, diversos modelos que já fizeram ou ainda fazem parte da wish list de diversas pessoas.

O que faz uma empresa sólida, líder mundial durante 70 anos, chegar ao ponto de solicitar intervenção estatal em suas operações, precisando de dinheiro do governo para não desmanchar? Ok, temos a crise mundial, que afetou gravemente todos os ramos, em especial o automobilístico e imobiliário (nos EUA); é uma reação em cadeia, uma vez que a indústria automobilística movimenta diversos setores, desde siderurgia, fornecedores de auto-peças, até áreas de marketing e propaganda. Tudo desencadeado pelo excesso na oferta de crédito, enfim, o início deu-se em meados do ano passado e tudo o que estamos passando agora teve origem lá.

Tudo, exceto a atual posição da GM. É claro que a crise contribuiu bastante, não vamos tirar seu 'mérito', mas o que mais arrastou a Great Mother para a vala em que está agora foram falhas. Falhas vindas do alto. Não, não as divinas, embora apenas uma intervenção deste tipo a salvaria; falhas do board, dos dirigentes, responsáveis por decidir os rumos, adotar estratégias que fizessem com que a empresa se destacasse perante as demais. E neste quesito, falhas estratégicas são inadmissíveis, com conseqüências catastróficas. Convenhamos, seus rendimentos são elevados, 'n' bonificações e benefícios como automóveis e jatinhos (??), mas tudo tem seu preço: falhas são inadmissíveis. Os benefícios nunca são demais se o trabalho for bem feito. Não foi o caso.

Os americanos se orgulham muito de seus grandalhões. Certa vez, assistindo o DVD do show do ventríloquo Jeff Dunham pude perceber isso: Jeff foi ovacionado pela platéia ao dizer que, diferentemente de sua esposa que possuía um Prius, ele tinha um Hummer. E que constantemente precisava tirar o Prius da grade dianteira do Hummer. É difícil para nós, que não temos tamanha identificação com nossas marcas, imaginar tal situação encontrada por eles hoje.

Entretanto os tempos mudam; as necessidades de hoje são muito diferentes das de 10 anos atrás. Veículos eficientes, menos poluidores, compactos estão em foco. Até mesmo superesportivos estão se adaptando, como o Tesla elétrico. Coisas que deveriam ter sido vistas, analisadas e levadas em consideração a, pelo menos, 5 anos, por pessoas que têm a obrigação de fazer isso. Isso é estratégia, direção, decide os rumos que determinada empresa deve tomar. E também seu futuro, como estamos infelizmente presenciando agora.

E em relação ao Brasil? A situação aqui pode seguir 2 caminhos completamente antagônicos: devido à nossa autonomia, conquistada através de décadas de tropicalização e mão-de-obra barata, possuímos um centro de desenvolvimento global situado em São Caetano do Sul, responsável pelo desenvolvimento de plataformas de pickups para toda a corporação GM. Além disso, desenvolve-se lá veículos que serão utilizados no mercado local, tais como nossos populares, além de tecnologias antes exclusivas, como a Flex. Em suma, global e pontual. Dada a grande autonomia conquistada, aliada às dificuldades da matriz, o Brasil pode se destacar e muito dentro da corporação. A maioria dos lançamentos brasileiros era baseada em veículos Opel; agora, sem o braço alemão, resta aos brasileiros partir para o desenvolvimento total do veículo, ou adotar projetos de outras subsidiárias. Ou ainda ser vendido, opção pouco provável devido aos altos lucros obtidos. Vamos esperar para ver como a história seguirá.